Desde o momento em que foi criado, no ano de 2012, que o NOS Primavera Sound se classifica como sendo um “primo” do Primavera Sound Festival de Barcelona: ocorrem com uma semana de intervalo um do outro, o cartaz é muito semelhante e, obviamente, o nome é o mesmo. Se desejássemos ir ao festival dos ‘nuestros hermanos’, tendo em conta o valor do passe, juntamente com o transporte, estadia e alimentação, a nossa carteira ficaria uns 400/500€ mais pobre, enquanto que no Porto, dificilmente ultrapassaria os 200€. O valor monetário não é o único que pesa no festival português; o recinto é menor e há menos bandas no cartaz, sendo possível ver (quase) todos os concertos que se agendou em casa, o que seria praticamente impossível em Espanha.

O cartaz para o NOS Primavera Sound ‘16 será anunciado nesta quinta feira, dia 4, e tendo como base o excelente cartaz da edição deste ano do Primavera Sound Festival – que este ano tem um dos cartazes mais apetecíveis dos últimos anos -, e em jeito de antecipação, a Tracker Magazine faz-te uma selecção de 10 nomes que gostávamos de ver por cá em Junho:

Animal Collective

As carreiras a solo de Noah Lennox (Panda Bear), David Portner (Avey Tare), Brian Weitz (Geologist) e Josh Dibb (Deakin) complicam a tarefa dos Animal Collective se reunirem e lançarem álbuns com maior frequência. Em 2015, tal foi possível e a banda gravou Painting With, disco a lançar no final deste mês de fevereiro. Com uma tour dedicada ao novo trabalho e por não se saber quando se reúnem novamente, Animal Collective dariam um excelente cabeça de cartaz para o festival do Porto.

Battles

Bandas de experimental rock estão para o NOS Primavera Sound assim como os DJ’s estão para o MEO Sudoeste. Apesar do variado leque de opções do género no cartaz de Barcelona, a escolha dos americanos Battles para ingressarem o festival do Parque da Cidade remete para o longo período de tempo desde a sua última visita a Portugal, 2012 no Super Bock Super Rock, e pelo excelente La Di Da Di lançado no ano passado. Que melhor maneira para quebrar um jejum de 4 anos do que com um álbum frenético apresentado ao vivo?

Current 93

Se os trinta quatro anos de carreira já não eram surpreendentes, o que dizer dos setenta e oito (sim, leu bem) trabalhos que a banda já lançou? Entre álbuns, EP’s, cassetes e compilações, os Current 93 já fizeram de tudo e de muito ainda vão fazer. O papel de “banda lendária” que o NOS Primavera Sound costuma ter no cartaz, seria mais que merecido para os Current 93. Afinal, não é todos os dias que se tem a possibilidade de ver uma banda tão influente no panorama musical como estes três britânicos que revolucionaram as possibilidades do folk.

Deerhunter

Noise rock, garage rock ou shoegaze são apenas alguns dos variados géneros que os Deerhunter implementam ao longo dos seus sete álbuns de carreira, o que lhes permitiu alcançar o estatuto de ‘referência’ no indie rock internacional. Apesar das frequentes trocas e baldrocas em membros da banda, os seus fundadores Bradford Cox e Moses Archuleta garantem que nunca falta inovação e qualidade em cada um seus discos. Três anos passados desde a última visita ao nosso país, curiosamente, no mesmo festival, não nos importávamos de matar saudades.

Julia Holter

O art pop electrónico de Julia Holter  é das melhores coisas que se tem feito no mundo da música ultimamente, prova disso sendo as inúmeras nomeações que Have You In My Wilderness recebeu no ano passado para ‘disco do ano’. Um concerto ao final da tarde e ao pôr do sol, debruçado na relva do Parque da Cidade, com os olhos fechados e a absorver o melhor que a música de Julia Holter tem para oferecer, seria uma experiência única e que a torna num dos nomes obrigatórios a “pedir emprestado” ao país irmão.

The Last Shadow Puppets

Enquanto ainda se discute sobre o facto de continuar a ser fixe gostar de Arctic Monkeys ou não, a verdade é que foram uma banda que marcou a adolescência de muitos e é difícil perder o carinho especial que Alex Turner conquistou em muitos. Aproveitando uma pausa dos rapazes de “505”, Alex Turner volta a colaborar com Miles Kane no projecto paralelo dos dois, passados quase 8(!) anos, os The Last Shadow Puppets. Será em junho que vamos receber de braços abertos a estreia da banda por terras lusitanas?

PJ Harvey

PJ Harvey é, até ao momento, o único cabeça de cartaz do Primavera Sound Festival que ainda não foi confirmado para um festival português – Radiohead no NOS Alive e LCD Soundsystem no Vodafone Paredes de Coura -, o que leva a crer que encabeçará um dos três dias no evento do Porto. Let England Shake foi, indiscutivelmente, o álbum do ano em 2011 e com o que tem sido mostrado, The Hope Six Demolition Project não lhe deve ficar muito atrás, realçando a necessidade de ter PJ Harvey de regresso a Portugal.

Sigur Rós

Quando a música é boa, não importa nem de onde é nem a sua língua. Os islandeses Sigur Rós são a prova disso, alcançando sucesso a nível internacional sem recorrer a letras inglesas, aliás, grande parte das letras da banda foram escritas numa língua inventada pelo líder da banda Jón Þór Birgisson (Jónsi), denominada de “Vonleska”. Atribuir o nosso próprio significado às letras de uma banda e deixarmo-nos guiar pela sonoridade dos instrumentos, é a chave do sucesso dos Sigur Rós. Quem esteve presente no Coliseu do Porto e no Campo Pequeno em 2013, comprava-o; aos que não estiveram, é esperar que seja no NOS Primavera Sound que possam tirar as suas próprias conclusões.

Vince Staples

Com Kendrick Lamar no Super Bock Super Rock e Wiz Khalifa no MEO Sudoeste, parece que 2016 é finalmente o ano em que os grandes festivais vão passar a apostar mais no género do hip hop. É costume o NOS Primavera Sound apostar em, pelo menos, um artista de hip hop nas suas edições e, depois de concertos explosivos tanto de Kendrick Lamar (2014) como de Run the Jewels (2015), Vince Staples seria uma aposta segura para dar continuidade a esta tendência.

 

Wild Nothing

Os Beach House são uma das grandes atracções do Primavera Sound Festival. Por ainda estar bem recente na memória os dois excelentes concertos da banda Portugal no passado mês de novembro, o lugar de dream pop no cartaz do festival do Porto seria bem entregue aos americanos Wild Nothing. Life of Pause, o terceiro disco de originais, será lançado no dia 19 deste mês e pelas músicas que têm sido reveladas, os quatro anos de espera não só valeram a pena como advinha-se que o melhor álbum da banda está mesmo ao virar da esquina.