Não se está no meio da floresta amazónica, mas os primeiros instantes enganam. Ali mesmo ao lado, a Marginal borbulha com os sons que não defraudam a certeza de quem sabe que está às portas da capital. O vaivém de carruagens que se balouçam nos carris, os tapetes de asfalto que se deitam sob veículos que se vão substituindo, segundo a segundo, na paisagem, vão compondo a pintura urbana convencional que todos os anos emoldura o recinto do NOS Alive.

Não é só o cartaz daquele que se tem tornado gradualmente num dos maiores festivais europeus que todos os anos se rescreve. É também a própria configuração da estrutura que acolhe o festival, que desde 2007 assenta arraiais no Passeio Marítimo de Algés, que se renova a cada edição. Quinta-feira está já ao virar da esquina, dia em que se abrem os portões dourados que dão acesso a mais três dias de um alinhamento de luxo. Com ele, abre-se também um mundo que a cada ano vai transfigurando pontos distintos do seu horizonte na sua própria versão sustentável.

É o que acontece este ano com o Palco Comédia, que na sua versão 2018 se revela completamente transformado. Aqui, em sentido estrito, não costuma haver música, mas os sons que impregnam o local logo à entrada dão o mote para uma transformação maior. Aqui há piares de pássaros, há vegetação abundante e só falta mesmo a roupa colada ao corpo com humidade a muitos por cento para estarmos seguros de se estar perto dos trópicos. Mas o embate inicial, tranquilizante e pacificador, dá lugar, a cada passo em direcção ao palco, à revelação de um objectivo, à materialização de uma preocupação que se deposita numa obra de arte consciencializadora tornada espaço interventivo da autoria de Bordalo II, composta por lixo, plástico, detritos, redes de pesca, ferro-velho, pneus. Uma dicotomia entre natureza e caos, que tem como missão a mudança de comportamentos e a recuperação do planeta.

As questões sustentáveis têm feito parte do ADN do NOS Alive, não surpreendendo por isso que haja mais um recanto do recinto a ceder o seu design a preocupações ambientais. O Palco Comédia coloca-se assim do lado luminoso da força, lado a lado com a utilização de copos biodegradáveis, à quase abolição total de geradores, ao zero desperdício alimentar e o material reciclado que concede a matéria-prima para a construção das mesas e cadeiras do food court que têm marcado presença nas últimas edições do festival e que são já parte indissociável do panorama geral do evento.

Novidade é também o espaço Giga Live, situado frente a frente ao Palco NOS, onde se podem assistir a transmissões ao vivo dos concertos em ambiente relaxado. Nos intervalos, serão inúmeros os documentários sobre as bandas presentes no cartaz que irão preencher o tempo que medeia as actuações.

Este ano bebe-se novamente Sagres no NOS Alive, estando a presença da marca portuguesa associada ao (re)branding do que se convencionou chamar palco secundário e que esteve, desde 2012, associado à Heineken. A Sagres, que tinha apenas baptizado o mesmo palco na edição de estreia do NOS Alive, volta assim a ficar sob a alçada do festival.

Chegar a casa vai também ficar mais fácil, com os 30 autocarros da Carris disponibilizados a partir da rotunda da CRIL e que irão facilitar o fluxo de espectadores com destino a Marquês de Pombal, Cais do Sodré e Parque das Nações. O comboio, e a longa travessia de 800m pela CRIL até lá chegar, vai deixar de ser assim a única alternativa de cariz público para sair do recinto, a par do taxi. Disponíveis estão também os passeios pedonais de Belém e do MAAT, entretanto já aberta ao público.

O NOS Alive ’18 realiza-se entre os próximos dias 12 e 14 de julho com as entradas há muito esgotadas. O cartaz completo com os horários das actuações pode ser consultado aqui.