Nem todas as sereias vivem no mar; algumas vivem entre as montanhas e em vales sumidos entre névoas. Joana Serrat é uma dessas habitantes mutantes do mundo mágico da folk, que de voz enfeitiçante e enfeitiçada, encanta os marinheiros perdidos nas florestas e nos caminhos de terra feitos de canções cheias de pó da estrada. Um trio de longas-duração marcam a carreira ainda breve da menina da Catalunha, sendo o último registo, Cross The Verge de 2016, exactamente o mesmo que a trouxe a Portugal no ano passado nos concertos que deu para as plateias do Festival Para Gente Sentada em Braga, e das do Vodafone Paredes De Coura.

Quem na altura conseguiu escapar dos encantamentos folk de Joana, pode finalmente ceder aos lamentos musicados e desencantados sobre perda e amor, um dos binómios maiores no que toca à sua escrita de canções que assombram Cross The Verge, editado pela El Segell del Primavera/Loose Music. Joana Serrat toca amanhã no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha e traz consigo também as canções de The Relief Sessions de 2012, e de Dear Great Canyon de 2014.

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Cross The Verge foi produzido por Howard Bilerman, responsável pelo álbum Funeral dos Arcade Fire.