O mapa mundo de André Júlio Turquesa em tons de folk e canções de todo o lado
87%Overall Score

Podem chamar-lhe chi, prana, elan vital ou quinto elemento. Podem simplesmente chamar-lhe, de forma mais terra-a-terra, energia vital. Ou podem chamar-lhe de forma mais académica, Orgônio. André Júlio Turquesa preferiu este caminho para baptizar o seu primeiro disco a solo editado pela portuense Planalto Records. Um disco que se pressente como um álbum de viagens, de travessias por terras e personagens. Todas elas ficcionalmente reais ou realmente ficcionais? Não interessa nada. Não gostamos de ver making of’s.

André não segue um mapa de escrita mas vai deixando pistas como se abrisse um jogo sem regras sobre a mesa, um tabuleiro onde se vai adivinhando os carimbos no seu passaporte de músicas, evoluções, descobertas e influências. Daqui chegam ares de bons ventos de flamenco, de canções infantis de todo o mundo, do amarelo torrado do interior norte-americano, de bossas partilhadas debaixo da frescura quente de Copacabana, de uma Lisboa que se esvai nos tons de final do dia no Tejo, de um Porto que se perde na sombra colorida das vielas da Ribeira, de uma dança em Paris com um “Super-herói” ou de um lamento oceânico numa vila piscatória nos Açores.

Chegam também os ecos de John Fahey, Scott Walker, Nick Drake, Sérgio Godinho, David Fonseca, Jobim, Manel Cruz, Perry Blake ou Asaf Avidan. Mentira, chega nada. Quem chega é somente a alvorada de um escritor de canções de mérito próprio e ímpar nos campos da Lusitânia falada e cantada… seja em português, inglês ou francês. Vital é a descoberta imediata deste Orgônio turquesa.