As Tasseomancy, banda fundada pelas irmãs gémeas Sari e Romy Lightman, ex-meninas dos coros dos Austra de Katie Stelmanis e Maya Postepski, têm novidades dignas de mensagens dos deuses por isso ide escutar já o novo single “Missoula” e explorar esta preciosidade que o Olimpo vos envia.

A banda experimental canadiana, mais precisamente de um berço chamado Halifax, que desde 2008 nos tem deslumbrado com os seus sons e vozes peculiares e viagens imperdíveis é senhora de um registo tão bonito que a indiferença é característica que dificilmente pode ser aplicada. Funcione ou não a sedução das suas vozes de sereia que se assemelham a Calipso da ilha de Ogígia, a ninfa do mar que encantou Ulisses, a verdade é que as irmãs não permitem meios sentimentos. Embaladas pelo precioso acompanhamento do bandolim de Sari levitam atrás da percussão e do steel drum de Evan Carwright e das paredes de sintetizadores de Johnny Spence. Quatro elementos fundamentais no encantamento peculiar das Tasseomancy.

Do Easy, o novo disco dos canadianos, chegará em breve a 18 de Outubro pela Bella Union. Por enquanto, temos o prazer de receber em mãos o fresquinho single “Missoula” e preparem-se quando carregarem no play. Abrimos a cortina para um espectáculo com um beat tão soft que somos transportados para uma viagem de carro até ao Alentejo, observando ninfas pelo vidro do carro. Achamos impossível, e retornamos a olhar. Sari e Romy reforçam a cada nota os elemento de êxtase e maravilha com estas vozes magníficas, o saxofone perfeito de um dos convidados, Brodie West, lider do colectivo de avant-calypso Eucalyptus,  faz-nos elevar ainda mais. Em plena sensação de encontro com o desconhecido, Kate Bush quase que podia entrar no carro em plena viagem e ela amaria, de certo. De certo também Lisa Gerrard e Brendan Perry poderiam vir dar as suas vénias aos Tasseomancy e ajeitar-se no banco de trás.

Sobre a faixa as irmãs “Calipsos”, confessam-nos:

Missoula is a song for the roaming and an ode to the Unknown. There are so many transient people on the planet today, both fleeing and voluntarily in motion. I can’t speak for their experience, but as an artist, I find myself moving often. There is the desire to stay, the urge for going, and the split feelings of being a floating, uprooted bag of mostly water. Missoula has a repetitive hebraic melody at it’s centre, coming from a lineage of wandering Jews. A nod to one of my favourite Pentangle recordings, Let no man steal your thyme.

Sempre numa onda experimental os Tasseomancy, não são só recomendados para solitários de barba rija que escrevem poesia durante a noite como vampiros; são para todos nós. São um portal, quase saído de um filme de David Lynch. Do Easy promete aos primeiros sopros ser um hino de cristal para saborearmos com um vinho tinto de modo a deixar-nos ainda mais serenos e estranhos. É o mergulho na cidade submersa Otoh Gunga, no planeta Naboo, da ópera espacial Star Wars. O álbum conta com uma capa bastante particular que mais parece a Grande Odalisca do quadro do pintor francês Jean Auguste Dominique Ingres, ou a capa de um livro de um moderno-Homero. Para tornar tudo mais perfeito, Do Easy receberá mais feitiços de psych folk e dreampop de amigos da banda como Ryan Driver, que ajudará na flauta, Simone Schmidt, a voz dos Highest Order e Fiver e Alex Cowan dos Blue Hawaii.

Coloquem o volume no máximo, e deliciem-se. Esta é “Missoula” e fica também o primeiro single que dá nome ao disco, “Do Easy”.