Em 1991, a finada revista musical inglesa Melody Maker considerou o som dos Slowdive “impossível, imaculado e sereno”. Seja o que for que isso quer dizer, o certo é que os ingleses de Reading marcaram uma época e uma geração no papel de uma das formações mais influentes que saía dos movimentos shoegaze e dreampop de final da década de 80.

O álbum de estreia, Just for a Day, saía em 1991 com algum barulho na imprensa, mas foi principalmente nas listas independentes que ganhou espaço e visibilidade. Somente em 1993 com Souvlaki, o segundo disco, é que os Slowdive foram catapultados para a categoria de banda ícone de uma geração — o disco é considerado um dos grandes manifestos do shoegaze -, mas o sucesso foi fugaz e o canto do cisne viria dois anos mais tarde, em 1995, com o lançamento de Pygmalion, já com a banda prestes a separar-se. O fim tornou-se inevitável após a dispensa da Creation Records, envolvida no turbilhão de britpop e seus refrões de estádio de futebol. O som “contemplativo” do quinteto parecia já não fazer sentido, nem mesmo para os próprios, e com o abandono de Christian Savill e de Nick Chaplin, a banda transmutava-se em Mojave 3, com nuances de folk ainda dreamy e eram adoptados pela 4AD.

De volta ao ativo em 2014, depois de quase vinte anos de separação, os Slowdive são um dos principais nomes de todos os movimentos que atravessaram enquanto banda e igualmente nas suas carreiras a solo, nomeadamente as de Rachel Goswell e Neil Halstead. O quarto álbum da banda, batizado de Slowdive, foi editado finalmente em maio de 2017 e recebido com euforia pelos fãs, órfãos da banda desde meados da década de 1990. Lançado pelo selo canadiano Dead Oceans, o disco esteve presente em várias listas de melhores do ano e agora é o carro chefe da tour que chega a Portugal.

Lisboa e Porto são as cidades que vão receber finalmente os Slowdive com concertos em nome próprio depois das passagens pelo Primavera Sound, em 2014 e pelo Vodafone Paredes de Coura, no ano seguinte. A capital encontra-se com Rachel Goswell (vocais e guitarras), Neil Halstead (vocais e guitarras), Nick Chaplin (baixo), Christian Savill (guitarra) e Simon Scott (bateria) no dia 8 de Março no Lisboa ao Vivo e a Invicta acolhe-os no dia seguinte no Hard Club. Os bilhetes custam 30€ para ambos os concertos e estão já à venda nos locais habituais.

Em tempos de revival dos anos 90, o som barulhento, cheio de ambiências e de vocais quase descomprometidos dos Slowdive — juntamente com outras referências do estilo como My Bloody Valentine e Ride —, soam mais do que bem-vindos e atuais. Que o digam Tame Impala, DIIV, Grizzly Bear e tantos outros. Sorte a nossa.

Slowdive ao vivo em Lisboa e Porto

Slowdive ao vivo em Lisboa e Porto