É como se fosse os Estados Unidos em plena meta final dos anos 80 e na erupção punkster, noise e hard core que conduziu ao grunge e aos anos dourados do rock alternativo dos anos 90. É como se fosse, mas não é. Os dias podem ser menos dourados no geral, mas há um estúdio em Ghent, na Bélgica, onde a memória ainda brilha, onde as recordações de antes são feitas todos os dias, dia a dia, e onde nem um grão de relevância em torno destes géneros foi apagado ou soprado para a rua.

E é na rua e no som dos dias e da raiva que se pode definir os Teen Creeps – ok a aproximação àquela banda que marcou a época podia, efectivamente, ser menor -, que ainda vestem o fardamento militante dos 90s. Ou então, deixamos que eles mesmos o façam e aproveitamos o termo usado por Ramses Van den Eede, Bert Vliegen (da banda slowcore, Sophia) e Joram De Bock, deixamos escrito na legenda da banda a expressão post-everything.

Alinhados na perfeição com as bandas que deram ao indie rock a sua verdadeira definição, os Teen Creeps bebem da fonte da inspiração dos Dinosaur Jr (que tem um novíssimo tema), dos Superchunk, dos Fugazi ou dos Hüsker Dü, para destilar depois as suas águas revoltas em linhas de guitarra altamente melódicas e diluídas em pedais de distorção crua, em vocalizações entre o arrasto fofinho e anestesiado e a raiva urbana, sempre com aqueles muros de cimento rítmicos que carregam as canções nos braços e as atiram umas atrás das outras sem grande piedade.

Com cinco anos em cima, os Teen Creeps preparam o lançamento do álbum de estreia, Birthmarks. O sinal de nascença vai ficar para sempre ligado à Play It Again Sam (PIAS), que edita assim a colecção de canções dos belgas que foi já introduzida, nos primeiros dias de Fevereiro, pela mui placebesque “Sidenote” – vídeo aqui -, e que tem agora continuidade através do novo vídeo do trio, “Mercury”, em que os encontramos bastante próximos do universo da banda de J Mascis. Sobre o disco de estreia o vocalista Bert define-o como,

…an album about frustrations, shortcomings and disappointments. About misplaced hope and false expectations, about people hurting and being hurt and not being able to deal with it. Very personal for me, but that is something that I have learned with Teen Creeps: to make myself vulnerable in my texts. ‘Birthmarks’ contains the most honest lyrics that I have ever written. The title refers to events that you carry with you for the rest of your life, whether good or bad. Just as a birthmark is not necessarily beautiful or useful, it is forever.

Para descobrir em baixo “Sidenote” e o novo vídeo para o disco debutante dos Teen Creeps, bem como o EP de estreia homónimo, de 2014, que está mais acima.

Birthmarks
01. Sidenote
02. Hindsight
03. Mercury
04. Will
05. Good Intentions
06. Thread
07. Hemispheres
08. Unravel
09. Forging Kindness

Teen Creeps - Birthmarks

Teen Creeps – Birthmarks