A descida dos anjos à terra é rara. E as aguas mil de Abril ainda não desceram, mas os seus sinais já são evidentes. Os primeiros pingos de “Currency” apaixonaram, sendo uma das mais violentas músicas dos The Black Angels, não como a chuva de Primavera, mas como um belo sol de Inverno. Agora, chega-nos “I’d Kill For Her” e inquieta-nos ainda mais a espera pelo dia 21 de Abril, a data de lançamento do novo álbum dos norte-americanos de nome Death Song.

A crítica política é forte, a força é bruta, a visceralidade arrepiante e a energia é contagiante. Em “I’d Kill For Her” o refrão grita “I would not kill for her again” enquanto no vídeo correm imagens bélicas, sugerindo que her (ela) pode não ser uma mulher, mas uma nação. A banda já garantiu que Death Song será um álbum que gira em torno da crítica política, da violência, da economia e de outros problemas sociais. De peito cheio de fuzz para dar, vestidos de negro, agarram pelos cornos um género sobrecarregado de bandas e dominam-no, mantendo-se relevantes na neo-psicadélia do rock.

Essencialmente, destes dois singles, é esperado um álbum entusiasmante, dada a consistência e a honestidade das duas primeiras amostras, e cria a expectativa de ser, possivelmente, um dos melhores registos da banda. A fasquia foi atirada para o topo do templo do psicadelismo, desenhado por Barret, construído pelos 13th Floor Elevators, Thundermother e companhia, e mantido em altas pelos The Brian Jonestown Massacre e pelos Spaceman 3 e o que se verifica é que se encontra em declínio por sobre-habitação. Temos fé em anjos, e se ouvirmos, os deuses The Velvet Undergroud, já é facto que “The Black Angel’s Death Song” é brilhante. Tudo indica que assim será para sempre.

Os The Black Angels têm agendada a sua actuação em solo nacional no dia 10 de Junho, no NOS Primavera Sound.