Eles tinham avisado na véspera do lançamento do novo disco para não irmos até Anacita, um local que existe apenas na mente da voz dos Protomartyr, Joe Casey. Mas como gente mal-comportada que prezadamente somos, logicamente que fomos até lá. Relatives in Descent, o disco que “Don’t Go To Anacita” antecipava, foi lançado a 08 de Setembro passado pela Domino e marcava a estreia da banda de Detroit – cidade que em tempos foi convenientemente apelidada pelos KISS como a rock city -, nas fileiras da lendária editora independente.

Nascidos de um embrião chamado Butt Babies, os Protomartyr lançaram em 2012 o disco de estreia No Passion All Technique mas foi em 2014, já assinados pela Hardly Arts, que os olhares da comunidade melómana se virou para o quarteto de Casey, Greg Ahee, Alex Leonard e Scott Davidson. Under Color of Official Right dava luz negra a hinos imediatos nas órbitas do post-punk moderno mas fiel às raízes do género. Temas como “Come & See” e “Want Remover” colocava a banda mais perto das sonoridades desafiantes dos The Fall, Wire e Pere Ubu do que da melancolia intensa dos Echo And The Bunnymen e de boa parte da cena inglesa. Um ano mais tarde, The Agent Intellect reafirmava o quarteto como a potência post que tinha já provado ser com os dois discos anteriores.

Este ano, os Protomartyr dão continuidade com Relatives In Descent a uma carreira plenamente afirmada, e lançam um manifesto sobre a natureza e a incerteza da verdade em tempos onde a desinformação é uma realidade diária.

I used to think that truth was something that existed, that there were certain shared truths, like beauty. Now that’s being eroded. People have never been more skeptical, and there’s no shared reality. Maybe there never was. – Joe Casey

Depois de terem estado em Portugal em 2016 no NOS Primavera Sound, os Protomartyr estreiam-se na capital com um concerto marcado para Abril próximo. A sala que os recebe é o Musicbox no dia 12. Os bilhetes estão já disponíveis e custam 12€.