Rostam Batmanglij pode muito bem ter saído dos Vampire Weekend, mas mais difícil é tirar os Vampire Weekend de Rostam Batmanglij. Estávamos em Janeiro de 2016, e o mundo descobria através do Twitter que os norte-americanos iriam ficar desfalcados do seu teclista e baixista original, uma saída da banda motivada por uma tentativa de descoberta da sua própria identidade sonora, tanto a solo como em outros projectos, embora mantivesse algumas colaborações esporádicas com os seus antigos companheiros de banda. Rostam estreava-se pouco depois fora dos Vampire Weekend num álbum colaborativo com Hamilton Leithauser dos The Walkmen, um casamento discográfico que viria a dar belíssimos frutos em I Had A Dream That You Were Mine em setembro sob o nome Hamilton + Rostam, isto já depois de ter participado num disco dos Ra Ra Riot.

Abril de 2017 haveria de ver Rostam despertar nas ruas de Nova Iorque os primeiros vislumbres do seu trabalho a solo com “Gwan“, que chegou com toda a  pompa e circunstância numa melodia bonita e doce embrulhada numa pop quente desenhada a violinos e pequenos pingos de electrónica que terminariam num crescendo. Rostam mostra a sua identidade sonora, mas a verdade é que a identidade sonora de Rostam não desagua muito longe daquela dos Vampire Weekend. Com o anúncio da sua estreia discográfica a solo – o álbum irá chamar-se Half-Light, é lançado a 8 de setembro pela Nonesuch Records e já sabemos que integrará “Gwan” -, desponta também um novo tema que torna ainda mais evidente que Rostam segue um caminho musicalmente paralelo à da banda com quem editou três discos.

Quem já tem saudades dos Vampire Weekend, que não editam qualquer material novo desde Modern Vampires Of The City de 2013, pode dar asas à nostalgia agora com “Bike Dream”, um tema que resgata todos aqueles elementos que faziam o som dos Weekend instantaneamente reconhecíveis e os punham numa chaveta sonora absolutamente única. Parente directo de muita da discografia dos nova-iorquinos, “Bike Dream” roda nas instrumentalizações suaves que dão passagem a batidas profundas alternadas com baterias quasi-militaristas e a uma tropicalidade subjacente a toda a linha melódica. Para ouvir e ver o lyric video já aqui em baixo.