Scott Weiland & The Wildabouts – Blaster

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Ao terceiro álbum a solo, Scott Weiland parece ter finalmente acertado na fórmula rock que tanto tem vindo a procurar fora dos Stone Temple Pilots (STP). É bem conhecido o percurso de Scott quer a nível profissional quer a nível pessoal, por isso dispensa-se apresentações.

Após a saída forçada de STP, Scott procurou desesperadamente músicos para expor a sua visão musical e finalmente encontrou-os nos The Wildabouts: o guitarrista Jeremy Brown, o baixista Tommy Black e o baterista Danny Thompson (que gravou o álbum, mas que saiu da banda e é agora substituído ao vivo por Joey Castillo, ex-Queens Of The Stone Age).

Como se esperaria, Blaster é o álbum mais rocker de Weiland a solo visto que precisa de provar que não precisa dos STP para criar canções poderosas. E, na realidade, este álbum aguenta-se bem quando comparado com o último de STP com Weiland e até mesmo com Chester Bennington que o substituiu na banda.

Isto porque Weiland é, de facto, bastante criativo e, apesar de não haver o brilho e a finesse dos músicos de STP, a visão de Weiland prevalece. Continuam presentes todas as influências que o caracterizam, desde David Bowie (a sua maior influência de sempre), o surf rock dos 60’s e, é claro, o peso de Led Zeppelin e Black Sabbath.

E o álbum é exactamente a mistura de todas essas vertentes, individualmente. Ou seja, cada música espelha determinada influência sem haver espaço a fusão de estilos. Por exemplo, “Modzilla” e “Way She Moves” são conduzidas por riffs bluesy/Zeppelianos e estão muito próximos de STP. Em “Hotel Rio”, a influência de Bowie é a mais marcante, principalmente na voz. “Beach Pop” não permite enganos com o seu nome, é uma ode aos The Beach Boys, sem rodeios. Há lugar ainda para o peso em “White Lightning” e “Parachute”, esta última com um twist prog pelo meio. “Youth Quake” lembra Billy Idol e “Bleed Out” bebe de Nirvana. Chegando perto do fim, temos uma versão de T. Rex com “20th Century Boy” mais lenta e sem grande brilho (a versão de Placebo é melhor) e, finalmente “Circles”, um tema semi-acústico e muito country, termina o álbum numa nota mais leve. O momento mais fraco do álbum chama-se “Blue Eyes”, uma cópia irritante da igualmente irritante “Cinnamon” de STP, que não faz falta nenhuma no alinhamento do trabalho.

No geral, Blaster é, de facto, o melhor trabalho de Scott Weiland a solo. Apesar de não chegar ao brilhantismo dos STP, é um álbum carregado com uma áurea retro, com bons apontamentos musicais. Uma Polaroid de um período criativo que foi bem aproveitado.