Sea Lion

Há baladas de piano capazes de mover o mundo. E depois há “Room” que vem de mansinho com doçuras cândidas capazes de servir de refúgio para todas as mágoas de uma vida. Uma âncora secretista tranquila e insegura que com uma delicadeza refinada e a sobriedade de um sobretudo de inverno deslumbra com a timidez melancólica de uma leoa sueca que ignora o facto da sua voz delicodoce sobre a toada de teclas de piano à média-luz reflectirem no seu eco um abandono galvanizador capaz de trazer o mundo a seus pés.

O quarto de Sea Lion é esparso, expansivo, confessional e denota a mesma rebeldia repousada de Cat Power ou Kate Bush.  O quarto de Sea Lion desperta estados nostálgicos, abate euforias, sufoca marés e embala os sentidos, segreda contradições, testemunha paradoxos. Nas palavras de Linn, “Room” explora “the art of needing somebody versus not needing anybody at all, and what is best and how to balance it.” E acrescenta,

I recorded ‘Room’ after a week of frustration where i couldn’t record anything that didn’t feel like crap and I was unsure whether to push it any further or to just give up. I always struggle with knowing when to rest or when to keep going. It was around midnight and I just felt really frustrated with myself, so i made some coffee and then i went out for a long walk and when I got back I decided to try one more time and I wrote and recorded it within an hour or so.

“Room” é a primeira gravação de Linn Osterberg desde os dois EPs – Big Moon EP (Early Songs) e Cobra Eyes EP – lançados no ano passado pela Turnstile, casa-mãe de Perfume Genius, Christopher Owens e Cate Le Bon. Sem data de lançamento definida, o longa-duração de estreia de Sea Lion chegará ainda este ano.

rosana rocha sig

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