Suuns 2016
Suuns 2016

Suuns: A claustrofobia ao serviço dos sentidos

Charles-André Codérre toma em mãos a impossível tarefa de traduzir para imagens o som de uma das bandas mais características da actualidade. Os Suuns pegam no seu amigo de longa data e habitual colaborador e entregam-lhe a feitura de um tríptico visual que introduz o seu novo disco Hold/Still à realidade tridimensional a que estamos aprisionados. Hold/Still sai a 15 de Abril e recebe novamente o selo Secretly Canadian.

“Translate” abriu a trilogia em final de Janeiro e é um dos temas basilares daquilo que será Hold/Still. O primeiro single mostra que a banda vive numa realidade paralela muito sua. Limites desafiados de forma auto-desimposta que tanto celebram a libertação pela criatividade, como clarificam que os canadianos Ben Shemie, Liam O’Neill, Max Henry e Joseph Yarmush estão trancados numa zona por descobrir do cérebro humano… ou, pelo menos, do cérebro tão singular dos quatro.

Codérre capta a banda em formato térmico fazendo do vídeo exactamente aquilo que “Translate” é; incandescente e incomum enquanto uma belíssima visão daquilo que os olhos não vêem. “Translate” é uma música já com alguns anos mas que só agora se tornou real, tendo vindo a ser trabalhada e retrabalhada para ser apurada até ao seu ponto máximo. Pelos vistos o ponto máximo é este trabalho de guitarra circular, obsessivo, maquinal, embutido em synths trippy de segunda categoria. Ou como explica Henry: “[good gear] does all the work for you, and that’s not always fun”.

Hoje recebemos “Paralyzer”, o desencadear evolutivo da loucura sufocante dos Suuns – que no ano passado se reuniram com Jerusalem In My Heart num dos discos mais interessantes a serem editados em 2015 – que dão uma guinada violentíssima no volante e seguem em contra-mão por um estrada onde os Massive Attack com Bowie circa Lost Highway OST times se encontram com os Nine Inch Nails sob efeitos anestesiantes de ácidos ultravioleta e um mundo pós-“Pyramid Song” dos Radiohed com secções de sopro pontuais radiografadas a Barry Adamson no mesmo Lost Higway. “Paralyzer” é severo, medonho, assustador e o video de Codérre é tudo isso mas mais, é Irreversible de Gaspar Noé numa versão futurista romântica, sensual e sexual sem nunca deixar de ser severa, medonha e assustadora. A claustrofobia ao serviço dos sentidos.

Faltando ainda um video na trilogia sobe a curiosidade sobre quais os caminhos para onde Charles-André Codérre vai levar as dissonâncias anti-barreiras do quarteto de Montreal e para onde segue a viagem experimentalista e bela dos Suuns.

Para ouvir em baixo os dois remixes revelados para os dois temas. O primeiro recebe as máquinas de Dark Sky e a “Paralyzed” a remontagem de VRIL.

Não esquecer que a banda vai estar em palco no Festival Tremor nos Açores no próximo dia 19.