Swoon
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Swoon e a “Heatwave” que é mesmo para suar!

Estando a palavra “pop” lamentavelmente conotada com música conservadora, centrista (apesar de amiúde camuflada com excêntricas aparências, por exemplo, de Katy Perry à eurodance, com Britney Spears ou a Madonna dos 80s ligando ambas), por tal conservadorismo é estranho não se ter designado ‘free pop’ um conceito como o do projecto Swoon, designado “anything-goes” pela dupla Simon Balthazar (Fanfarlo) e King Knut, que se uniu por uma visão de liberdade, mais vasta que a própria intenção de ser alternativo (à tal pop conservadora) e por isso ainda mais fiel ao significado de ind(i)ependentes.

E com videoclip estreado já neste mês, o que os Swoon nos oferecem em “Heatwave” sugere que o álbum deles será mais excitante que a feérica fluidez da anterior “First Light”, a outra canção do digi-single já publicado. É uma ‘trip’ muito diferente, mais enérgica, para danças mais estimuladas, com um histriónico cante próximo do estilo do jovem David Byrne (Talking Heads) e distantemente aparentado com o mais libertino Dick Valentine (Electric Six). Uma longa canção (audazes 7 minutos, tempo de dois típicos singles) iniciada com o longo instrumental da estrutura do tema, concupiscente como o início do videoclip, no qual o ritmo é marcado mais pelo baixo funky que pelas ambientais bateria e percussões, antes de os teclados electrónicos e sintetizadores serem soltados para, sobretudo fora das partes cantadas, veicularem os acordes que transferem para a faixa um surrealista soro psicadélico e os estridentes efeitos que saturam (em bom sentido) os ouvidos de quem escuta.

“Heatwave” é tão electro e tão ancorada ao baixo (quase representado pelo navio de guerra do videoclip), que se há guitarras naquela música, as mesmas passam despercebidas pela inevitável dança. Sim, com o espírito içado por “Heatwave”, é mesmo inevitável abanar o esqueleto!