Temples - Entrevista

Temples

A banda de rock psicadélico britânica formada em Kettering, Northamptonshire em 2012, apresentou-se hoje, dia 10 de Julho, no Palco Heineken do Optimus Alive 2014.

Com problemas técnicos no início do concerto, desde o microfone de James Bagshaw a não querer transmitir os sons deslizantes da voz do vocalista, ao feedback indesejado dos efeitos de guitarra, muitos foram os contratempos enfrentados pela banda no princípio da sua primeira apresentação em Lisboa. Com muita vontade e profissionalismo, os Temples continuaram o concerto e presentearam o público que os apoiava de forma exuberante, com um final de concerto digno da “melhor banda britânica da actualidade”, segundo Johnny Marr ou Noel Gallagher. Temas como “Shelter Song” elevaram os ânimos e deixaram os melómanos satisfeitos por serem optimistas. Os Temples cederam uma entrevista à Tracker Magazine, onde abriram um pouco o véu sobre a visita a Lisboa.

“Estamos cá há duas noites e passámo-las a beber cocktails” e, sabemos que foi no Cais de Sodré, o incontornável bairro boémio lisboeta. Mas, numa primeira abordagem sobre a cidade que os estava a receber, Adam e James sintonizaram 1969 e respondereram “Aqui onde? Nós nem sabemos bem onde estamos.” Logo, corrigindo, que se sentiam agradados por conhecer novos sítios e principalmente por nunca terem estado em Portugal.

Sobre o álbum Sun Structures disseram-nos que o significado do nome provém de “uma soma das músicas que lhe dão estrutura, profundidade”, mas Adam confessa que “queríamos dar ao álbum o nome Prism, mas a Katy Perry lançou um álbum com esse nome e não queríamos que soasse a uma Deluxe Edition do álbum dela, mas dark.” E James acrescenta que há a possibilidade do próximo trabalho se chamar “Katy Perrys”, mas nunca “The Katy Perrys” pois, segundo James, acontece muito esse acrescento ao nome da banda e, faz um apelo “a toda a gente que escreve na porta do nosso camarim The Temples, párem com isso, é Temples! Obrigada a Portugal por terem acertado”

A curiosidade sobre os seus temas reside muito na qualidade obscura que a maioria representa; “Shelter Song” ou “Keep It In The Dark” parecem não ver a luz do sol, numa analogia melancólica. Questionados sobre o que mantêm no escuro, Bagshaw e Smith são espirituosos: “mantenham o chocolate no escuro para não derreter, e o mesmo se aplica ao queijo.” Acrescentando, sem resistir, que “as motivações da música são mesmo para manter no escuro.” Sobre “Shelter Song”, James vagueia no sonho Dylan e no shelter from the sun onde “tudo o que é ‘shelter’ é agradável e se serve para o Dylan, e adequado para nós.”

Questionados também sobe a proliferação de bandas chamadas “psicadélicas”, são perentórios: “Não nos consideramos uma banda psicadélica, consideramos um termo usado em excesso. As bandas que tocam esse género de som estão no mercado há anos mas nunca foram ouvidas. Talvez a internet tenha ajudado a que essas bandas, e novas bandas psicadélicas, tenham hoje mais destaque.”

Para quem quer saber sobre o equipamento usado pelos Temples que ajuda a identificar e produzir a sua música, Bagshaw e Smith são românticos: “O cérebro é o nosso melhor instrumento, no fundo é um instrumento por si só, é ele que decide o que vamos usar e como vamos usar, que melodias vão aparecer. Mas, seriamente, a bateria é muito reconhecível.”