19 meses foi o que os The 1975 demoraram a montar este labirinto imenso que é Notes on a Conditional Form. Um disco que foi crescendo de uma forma inesperada e ganhando uma forma distante daquilo que estava originalmente previsto. São 22 músicas ao longo de 80 minutos e um exemplo perfeito do que é (ou pode ser) um disco de uma banda feita de um espectro vasto de gostos, influências e estilos. Perfil transversal a uma geração. Ainda são Millenials? Serão estes os sons de uma geração Z ou serão já os da Alpha?

A verdade é que os The 1975 abrem o álbum com um discurso de Greta Thunberg – mais sintomático que isto seria virtualmente impossível – e vão saltando de casa em casa, jogando os dados de um xadrez genérico – sem o sentido pejorativo do termo – e, ao mesmo tempo plenamente alinhados com duas ou três gerações. O rosto mais retro roubado aos anos 80 que os acompanha quase geneticamente está por todo o lado, mas já não é só e apenas a peça que os faz ganhar este jogo. Eles usam e abusam da confluência de tudo e mais alguma coisa num disco que tem desde rock alternativo, soul, autotune, canções sacarosas, protesto, amor, funk, dub, amizade, electrónica, dúvidas, pensamento e pop… carraaaadas de pop a transbordar por cada esquina de cada tema. Se é um disco de uma geração isso é algo que vai demorar algum tempo a definir, mas lá que os The 1975 são mesmo o rosto de uma geração sem filtros e receptora de multitudes de informação, isso é etiqueta que já ninguém lhe tira.