Poderosas, intransigentes e descaradamente mulheres são palavras de Nazmia Jamal, autora de uma pequena biografia sobre The Raincoats, presentes no site oficioso da banda, uma descrição que assenta como uma luva no nervo enérgico e revolucionário e na veia pioneira e irreverente das britânicas que dominou o ambiente sonoro de tendência post-punk do final da década de 70 e inícios de 80.

Gina Birch e Ana da Silva personificam a união de duas realidades bem distintas no panorama social e cultural europeu. Gina é inglesa e Ana portuguesa. Felizmente para o movimento musical feminista, as duas conseguiram encontrar-se na Hornesey College of Art e agarrar as reminiscências do punk-rock para lhe dar uma nova roupagem; uma feminina e virada para problemas bem mais profundos, formando-se assim em 1977.

O post-punk já não é só uma atitude de revolta, ou um visual agressivo e chocante que foge dos padrões da moda e da sociabilização. As quadragenárias foram seminais, fazendo parte da primeira geração do post-punk inglês e feminista. As The Raincoats lançaram cinco álbuns, de entre os quais The Raincoats em 1979, o primogénito e o que melhor materializa esta luta. O disco é influenciado pelo folk britânico, por elementos de free jazz, por vários ritmos de percussão tocando ao mesmo tempo (polirítmo) e ska.

O dueto tem na agenda uma tour por Portugal marcada para o fim de junho e início de julho, uma digressão que durará seis dias e passará pelo gnration em Braga, pela Trienal de Arquitectura em Lisboa, pelo Salão Brasil em Coimbra e pela Casa da Música no Porto nos dias 29 e 30 de junho, 3 e 4 de julho, respectivamente.