Não se espera outra coisa de tudo o que habita o fascinante mundo sonoro de The Soft Moon que não sejam construções de uma genética negra, embutidas frequentemente com atmosferas de solenidade hipnótica e magnificência hermética, habitantes desajustados que desafiam a repetição monótona e mecanizada dos convencionalismos instituídos e provocam uma onda amotinadora de desordem e caos controlado.

Não demora muito, por isso, a reconhecer em “Choke”, o novo tema dos The Soft Moon e o terceiro extraído para o novo disco depois de revelados “Burn” e “It Kills”, as já tradicionais auto-estradas de sintetizadores plásticos, circulares e constantes vincados pelas distorções nebulosas de várias gradações de Luis Vasquez, aquelas que costumam desenhar à sua volta um cenário obsessivo e apocalíptico, fechado num portal cavernoso de morada secreta, clandestina e profundamente decadente e imoral, onde o ar é pesado e rarefeito.

Embrulhada numa estirpe de post-punk a pender mais para o industrial e para a darkwave, “Choke” revela um pouco mais dos granulados impregnados de negritude que se irão condensar em Criminal, o quarto registo de estúdio dos The Soft Moon, sucessor de Deeper de 2015, que desce para habitar as masmorras mais húmidas e impermeáveis à luz do planeta já no próximo dia 2 de Fevereiro pela mão da Sacred Bones. Sobre o tema, Vasquez confessa:

I created ‘Choke’ as a theme song to my recurring corruptive behavior. It’s emblematic of my sleepless nights, wandering the streets of Berlin like some paranoid animal, while capturing the unbearable sound of my pulsating heart deep inside my chest. Full of ego and full of fear at the same time.

Luis Vasquez passou em 2016 por Lisboa para um concerto inserido na programação da Heineken Series e cujas fotos podem ser vistas aqui.

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