O carácter urbano do Super Bock Super Rock tem vindo cada vez mais a tornar-se parte do ADN do festival. Deixar a natureza do Meco para ocupar a arquitectura moderna do Parque das Nações e dividir o alinhamento entre duas salas fechadas e dois palcos a céu aberto, foi o primeiro passo. A selecção de bandas e artistas que desde a mudança de zona e estrutura foram ocupando esses quatro palcos tem vindo, desde então, a sofrer também um gradual desvio da seta indicadora de direcção, colocando-se cada vez mais entre as bandas da cena independente que desde há muito ocupam a generalidade dos maiores festivais nacionais e a música de alma e corpo negro como o soul, o hip-hop e o r&b.

O alinhamento de 2018 parece estar a colocar-se precisamente no ponto óptimo entre as duas facetas. Com os quatro novos nomes anunciados a darem seis jogadores a cada uma das equipas. Let’s play ball.

The Vaccines

Dos The Vaccines, que passaram pelo palco principal do evento em 2015, já tudo foi dito e redito. Este ano, o quinteto de West London  regressa ao mesmo evento, mas passa do palco principal para o aconchego aberto da pala do Pavilhão de Portugal do Palco EDP, um espaço muito mais acertado para as guitarras dos britânicos e para os riots de Justin Hayward-Young. Soa a despromoção? Não, é um jogador que jogava antes numa posição que não era a sua e que agora ganha de novo o seu lugar de eleição.

A banda britânica prepara-se desde os primeiros dias do ano – altura em que revelaram o primeiro single, “I Can’t Quit” -, para o lançamento do novo disco, Combat Sports. O quarto álbum da sua discografia trá-los de volta ao seu som típico, depois de uma incursão menos bem recebida e conseguida por sonoridades oitentistas. O disco sai no dia 30 de Março e os ingleses tocam em Lisboa no dia 19 de Julho. Vai ser um “Nightclub” versão indie-rock? Vai, de certeza.

Olivier St. Louis

Não nasceu em St. Louis mas em Washington numa família de origem camaronesa e haitiana, e cresceu e estudou numa zona rural inglesa. Está desenhada de raiz uma estratégia natural para dar em meltingpot criativo como em muitas histórias conhecidas de miúdos que passam os seus anos formativos fora daquilo que seria o seu habitat natural, em constante mudança de cidade em cidade em cidade. Olivier coleccionou influências, reuniu uma colecção de cassetes que iam desde o garage rock ao soul, do rock inglês ao hip-hop.

O resultado está em campo e em pleno desenvolvimento atacante. Entrou em campo em 2006 sob o cognome de Olivier Daysoul, e lançou, no mesmo ano, o disco de estreia kilowatt que o colocou automaticamente no mapa da cena hip-hop britânica. Choveram as tentativas de recrutamento das suas capacidades vocais para dar poesia a trabalhos alheios, tendo surgido assim a oportunidade de trabalhar com Hudson Mohawke e Oddisee, entre muitos outros. Mas como não era suficiente andar a dar toques em bola alheia, Olivier pára, respira e arranca novamente em nome próprio. A soul nocturna e sensual, o blues urbano e o rock mascarado de r&b ocuparam as suas posições em campo, e St. Louis está aí no topo da sua liga e já com dois álbuns, Black Music, de 2015 e Ever Since The Fall, de 2017. A estreia na liga portuguesa de festivais de Verão está marcada para dia 20 de Julho no Palco EDP.

Oddisee & Good Company

Amir Mohamed el Khalifa já é um nome mais que firmado na liga maior do soul e do hip-hop, com a camisola de Oddisee vestida desde 2005, ano em que lançou a primeira mixtape Instrumental Mixtape Volume One. Daí até cá, lançamentos em catadupa e um verdadeiro chuveirinho de bolas para a área que resulta em mais de dez álbuns a solo e discos colaborativos e mais uma dezena de mixtapes, para além de EP’s e singles. Raras não são as vezes em que se encontra Oddisee em jogadas a dois com outros ilustres players da cena soul e hip-hop, como Kenn Starr – com quem partilha ainda o colectivo de rappers Low Budget Productions -, ou DJ Jazzy Jeff, que em tempos partilhou os palcos com Will Smith, nos DJ Jazzy Jeff & The Fresh Prince.

No ano passado, Oddisee gravou um disco ao vivo com os Good Company, colectivo com quem vem a Lisboa em Julho, e banda onde alinha também Olivier St. Louis, que toca a solo precisamente no mesmo dia e no mesmo palco que el Khalifa. Jogada estudada em palco à vista.

Tom Misch

Tom Misch ainda não se decidiu em que equipa vai jogar. Umas vezes surge a vestir a camisola de um house melódico, outras a estudar tácticas hip-hop com gente da cena como Loyle Carner; até já convidou o soulman Jordan Rakei para bater umas bolas e a chill-popster de delicadezas r&b Carmody, que já entrou em campo com ele também. E isto só num dos seus aglomerados de canções chamado Beat Tape 2, de 2015. Tom Misch ainda não quis, até agora, dar uma mesma casa, um mesmo tecto em forma de álbum de estreia a nenhuma das suas colecções de temas, espalhando-os por mixtapes e EP’s.

O músico e produtor inglês está agora sim com a pontaria apontada ao primeiro álbum que sai no dia 06 de Abril e para o qual já se conhecem os temas “Water Baby”, “South of the River” e “Movie”. Misch toca no Palco EDP no dia 20, tal com Oddisee  Good Company e Olivier St. Louis.

O alinhamento do Super Bock Super Rock está até agora assim definido:

19 de julho
Palco Super Bock – The xx, Justice
Palco EDP – The Vaccines, Lee Fields & The Expressions, TORRES

20 de julho
Palco Super Bock – Slow J
Palco EDP – Tom Misch, Oddisee & Good Company, Olivier St. Louis

 21 de julho
Palco EDP – Sevdaliza, Baxter Dury