Perotá Chingó @ Teatro Sérgio Cardoso
Roseli Vaz

Uma casa cheia para receber o indie folk argentino das Perotá Chingò em São Paulo

Poucas bandas conseguem transmitir tamanha empatia com o público como o faz a banda argentina Perotá Chingò em terras latino-americanas. Em apresentações sempre cheias, eles voltam com a turnê do novo álbum Aguas, e o palco do Teatro Sérgio Cardoso em São Paulo viu no segundo sábado de agosto uma apresentação musical em que o público reagia a cada canção tocada pela banda como em comunhão perfeita entre si e os músicos. Um bom exemplo dessa demonstração de afeto do público brasileiro pela banda está já na primeira faixa apresentada pela banda, a festiva “Veo Chiquito”, onde pôde ser ouvido todo o público nos seus assentos ovacionando por mais de 25 segundos a performance.

Uma viagem pela costa uruguaia foi o começo da história da banda que se apresentou nessa noite. Entender de onde vieram e o que carregam é uma forma olhar com atenção para o que a banda representa. As duas amigas Julia Ortiz e Lola Aguirre saíram de Grand Buenos Aires, foram para Cabo Polonio com um violão e duas mochilas, e lá deram vida à canção que seria o ponto de partida para o reconhecimento e sucesso da sua futura banda. Com “Rie Chinito”, um indie folk latino-americano, e uma apresentação gravada e viralizada pela web , as Perotá Chingò despontam como uma das maiores promessas da música latina. Ao lado delas, juntaram-se a banda o guitarrista uruguaio Diego Cotelo e o percussionista Martín Dacosta, formando a banda que se apresentou em São Paulo.

No começo, mais precisamente em Janeiro de 2011 – conforme artigo da revista Rolling Stone argentina de julho de 2012 -, para juntar dinheiro para a viagem, as duas amigas Júlia e Lola tocaram música em diversos lugares. Em bares e praças, tocavam canções de Simón Diaz, El Príncipe, Mario del Tránsito Cocomarola juntamente com algumas das suas próprias composições. Passado os anos, com um álbum de sucesso, casas cheias por toda a América do Sul e um novo álbum lançado esse ano – Aguas, justamente o que vieram apresentar nessa noite de agosto -, a banda aproveita agora o sucesso ao mesmo tempo que consegue transmitir para o público uma simplicidade e pouco um deslumbre ao modo caloroso com a qual a plateia sempre a recebe. As mesmas pessoas simples que enchiam as ruas de som, agora em palcos internacionais.

A produção no palco e de todo o concerto é de encher os olhos. Retalhos de tecido pelo chão, uma faixa grande suspensa exibindo vídeos de natureza e fumaças que exalavam incenso, sem contar as luzes que percorriam o palco. As canções do novo disco – com temas que vão do renascimento, à finitude da vida e à relação do homem com a sua própria natureza -, ganharam vida numa apresentação que mescla os efeitos das luzes com o olfato do incenso e as vozes estonteantes de Julia e Lola em faixas como “Anhelando Iruya”, “Certo” e “Canción Pequeña”, do novo disco. Em vestimentas medievais, as duas provam possuir presença de palco ao mesmo tempo que sabem conduzir um show com carisma e bom humor. Na faixa “Reverdecer”, ambas colocam chocalhos nos pés e se aproximam do público, sem outros instrumentos, somente a deixar as suas vozes e o barulho dos pés dançando. Uma verdadeira experiência multissensorial.

Ao final da apresentação, todos são levados para se levantarem dos seus assentos e dançarem. Tanto Julia quanto Lola ali estavam, divertindo-se com o seu público. Uma verdadeira conexão entre público e músicos em uma bela noite de sábado em São Paulo.

Aqui a fotogaleria completa do concerto das Perotá Chingò pelo olhar da Roseli Vaz.