Villagers - Where Have You Been All My Life?
61%Overall Score

2015 marcou o regresso dos irlandeses Villagers aos discos com Darling Arithmetic, tendo sido apresentado num dos concertos mais aclamados na edição de 2015 do Vodafone Mexefest. Darling Arithmetic marcou uma transição no registo da banda, afastando-se do seu indie folk característico passando para um discurso fortemente acústico, onde, com a excepção da guitarra, os restantes instrumentos não se fazem sentir tanto. Isto deve-se maioritariamente ao facto de Conor O’Brien, líder da banda, ter escrito, composto, gravado e tocado todos instrumentos no álbum, atribuindo-lhe uma conotação pessoal que os anteriores álbuns não recolhiam. Ao contrário dos seus antecessores, Darling Arithmetic não reuniu um consenso positivo por parte da crítica internacional e, embora elogiado, é o primeiro álbum dos Villagers a não receber uma nomeação para o prestigiado Mercury Prize Award.

Nesse mesmo ano, durante a tour do novo álbum, a banda tocou em Londres e aproveitou a visita para gravar algumas das músicas que andavam a tocar nessa tour nos estúdios RAK, de onde resultou Where Have You Been All My Life?. Esta colectânea recolhe dez temas que abrangem os três álbuns de Villagers, juntamente com um tema nunca antes lançado e uma cover. Como Where Have You Been retrata as músicas que têm sido tocadas na mais recente tour da banda, metade do álbum gira à volta das músicas de Darling Arithmetic, sendo a outra metade distribuída pelos dois primeiros álbuns da banda, o novo tema “Memoir” e uma cover de “Whichita Lineman”, tema originalmente lançado por Glen Campbell no ano de 1968.

De forma a acompanhar a transição do seu mais recente trabalho, os temas antigos, de Becoming a Jackal e {Awayland}, foram reestruturados por completos de forma a ganharem contornos acústicos. Desde modo, “Set The Tigers Free”, “My Lighthouse”, “That Day” e “The Waves” são as faixas que mais se destacam; a reestruturação que sofreram torna-as (quase) como músicas novas por completo, o que, se fosse o caso, facilmente se enquadravam e poderiam fazer parte do novo álbum. Para os fãs que têm vindo a acompanhar o percurso dos Villagers, estes temas têm um sabor agridoce: perderam a sua identidade, retiram-lhes instrumentos que os definiam (a electrónica de “The Waves” desapareceu por completo), em suma já não se assemelham aos temas originais. No caso da cover de “Whichita Lineman”, O’Brien reformula o estilo country original da música para o indie-folk característico da banda, transmitindo-lhe a identidade Villagers. Um exemplo de uma cover feita em condições.

As faixas que tanto estão presentes em Darling Arithmetic e em Where Have You Been All My Life? são praticamente idênticas, quer seja em álbum ou vivo; é de louvar a forma como uma banda consegue transportar os temas de um álbum para os palcos mantendo-os inalterados. As músicas escolhidas para integrar este álbum foram as mais fortes do passado disco, aquelas onde a guitarra e a voz de Conor O’Brien ligam-se intrinsecamente de forma a transmitir a mensagem que cada música tenta transmitir. Todavia, os novos arranjos das músicas – a presença de bateria e de contrabaixo passa a ser notória – não são suficientes para impressionar aqueles que tenham ouvido o último álbum da banda, com a excepção do novo tema “Memoir” cujas poderosas linhas de baixo, juntamente com as guitarradas mais arrebitadas de todo o álbum, produzem uma reminiscência dos primeiros álbuns da banda; embora uma outsider no registo deste álbum, revela-se também como sendo o ponto mais alto do mesmo.

Where Have You Been All My Life? tem os elementos que fazem com que os Villagers sobressaiam no género do indie-folk: melodias que fluem naturalmente, uma voz emblematicamente doce e guitarras pacíficas e relaxantes. Esta colectânea permite aos Villagers oferecem aos fãs a possibilidade de contemplarem os pontos altos da sua ainda breve carreira, mas a jogada ousada de reestruturarem temas antigas pode deixar alguns fãs reticentes. Sintetizando, é um álbum ideal para apresentar os Villagers a algum amigo curioso que desconheça a banda pois para os seus fãs de longa data, pouco há para os entreter.