Youthless @ Maus Hábitos
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Youthless no MusicBox: Que a juventude nunca acabe

De forma a celebrar o lançamento do seu primeiro álbum, This Glorious No Age, os Youthless subiram ao palco do Musicbox, em Lisboa, para o apresentar. Lançado no dia 6 deste mês, o disco estava a ser ‘cozinhado’ desde 2011, tendo sofrido uma longa pausa na sua gravação devido a uma perigosa lesão muscular nas costas de Alex Klimovitsky (bateria e voz) que pôs em causa a possibilidade de este continuar a tocar bateria e actuar. Durante esta pausa forçada, a dupla dedicou-se ao processo de escrita das canções que constituem o álbum, tendo a lesão que atrasava a banda moldado a temática por de trás do mesmo.

Quem assiste um concerto dos Youthless, nunca imaginaria que Alex sofreu tal problema nas costas; ele é um autêntico animal de palco, quer seja a ‘DarTudo’ atrás da bateria ou a circular e comunicar com o público em pleno concerto. Alex faz o que quer e o que lhe apetece durante as actuações sem que estas fiquem prejudicadas, ficando Sebastiano Ferranti (baixo e voz) encarregue – e bem – de manter os temas a rolar. A acompanhar Sebastiano nesta tarefa, estiveram Francisco Ferreira (Capitão Fausto, BISPO) e João Pereira (LaMa, ex Paus), recebendo nota 10 no teste de levarem a electrónica do álbum para os palcos, uma faceta importante na sonoridade dos Youthless.

O alinhamento do concerto foi idêntico ao do disco, o que deixou os presentes ao rubro desde o início ao fim. “Sail On” e “Golden Spoon”, a abrir, deixaram logo o público na mão dos Youthless. “Attention”, segundo single retirado de This Glorious No Age, foi entoado a plenos pulmões e com saltos à mistura pelas camadas jovens que se colavam ao palco. E foi mesmo nas primeiras filas que a maior festa acontecia, onde “Lightning Bolt” desencadeou o primeiro e único mosh ‘a sério’ da noite, cuja intensidade foi tão grande que até se pode dizer que era digno de fazer inveja aos moshes feito por ‘gente grande’. As réplicas que se seguiram não causaram o mesmo impacto mas não houve problema, pois em palco os terramotos eram constantes.

Enquanto a música não parava em cima do palco , Alex Klimovitsky juntou-se aos presentes enquanto cravava cerveja e tabaco pelo meio do público (obteve sucesso em ambas) e posava para os fotógrafos da comunicação social. De volta ao palco, a banda manteve o pé no acelerador para os momentos finais, sendo o ritmo frenético uma constante em todo o concerto. Mesmo depois de “Lucky Dragons”, a última do disco, a música não acabou pois nenhuma das partes queria dar como a noite como terminada. À pergunta “Querem ouvir mais alguma coisa?“, veio um enorme “Sim!” que fez estremecer as paredes do Musicbox. E assim, mesmo depois de uma hora alucinante, o concerto dos Youthless prolongou-se por mais alguns instantes, para delírio dos presentes.

De frisar ainda a primeira parte da noite, que ficou entregue a Jibóia e a LaMa. Numa meia hora dividida entre “ora agora eu, ora agora tu, ora agora os dois”, a electrónica de ambos tinha como missão aquecer os corpos das almas que marcavam lugar no Musicbox, embora com pouco sucesso; a juntar-se à fraca quantidade de pessoas que ainda se faziam sentir na sala, os problemas técnicos sistemáticos que ocorreram durante o concerto não despertaram muito interesse nos mesmos, havendo mesmo quem se sentasse. De qualquer das formas, ainda houve alguns corajosos a dançar ao som de “Treta Yuga” de Jibóia.

Foi praticamente impossível sair do MusicBox sem ser de coração cheio. Os Youthless proporcionaram uma das melhores hora e meia de concerto para muitos daqueles que se juntaram naquela noite, tornando-se numa experiência a repetir. Agora, é contar as nódoas negras causadas pelos moshes e saber que foram provenientes de uma noite do caraças. É tão bom ser jovem!

Nota: A foto de capa faz parte da colecção que podem ver em baixo. Todas da noite no Porto e pela lente de Raquel Pestana.

 

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